A transição alimentar que temos vivido em Portugal tem empurrado para as famílias, para que cada vez destinemos menos tempo para todos os processos relacionados com a comida.

A disponibilidade de produtos, o aumento do poder de compra médio (até a entrada da crise) e a mudança na rotina de trabalho e social, fez com que eventos como a compra, preparação e até mesmo o cultivo de alimentos estejam afastados da realidade do núcleo familiar.

A mudança ocorreu de uma sociedade criada em torno de um modelo com a comida, como os centro de atenção (na hora de estabelecer horários de trabalho, os vínculos familiares ou até mesmo o próprio emprego) a uma situação em que o único contato com esta linha de distribuição se limita a encher um caminhão, uma cesta ou um sacos de compras.

Sendo a alimentação uma necessidade básica, estamos “condenados” a aquisição de produtos alimentares, dia após dia, semana após semana, e investimos grande parte de nossa economia doméstica na comida, assumindo, em muitos casos, um grande percentual dos nossos custos. Além disso, como somos uma sociedade de consumo, o nosso comportamento como cidadãos influenciar significativamente para o modelo em que vivemos.

Como cidadãos, influencia mais o nosso padrão de consumo em nosso ambiente que o voto eleitoral.
Comprar com critério e tendo em conta todos os fatores é uma tarefa muito complicada, mas há diretrizes a seguir para que a nossa compra possa ser muito mais responsável, e para que possamos enfocarla para diminuir seu impacto ambiental e económico.

O que ter em conta para realizar uma compra responsável?
Escolha de embalagens:

Há que valorizar o que o tamanho de recipiente escolher, os de maior porte representam menor impacto ambiental e poluição, já que há menor quantidade de plástico/cartão, em relação ao alimento que contém, mas também corremos o risco de que sobre e tenha de rejeitar a comida. A escolha de um ou outro deve ser avaliada para cada família e indivíduo (não tem sentido abrir 3 latas de tomate frito cada vez que se recorre a esse alimento em casa, assim como também não tem de deixar uma lata enorme de atum aberta durante uma semana, se é que vivemos sozinhos).

Bandejas de poliespan, muito comuns em grandes superfícies

Especialmente devemos prestar atenção a alimentos como molhos, latas de legumes, sacos/latas de vegetais, bandejas de carne/peixe ou até mesmo o pão, para fazer uma escolha responsável, tanto com o recipiente com o alimento.

Não se esqueça de levar suas próprias sacolas, mochilas, carrinhos de compras ou cestas para não consumir mais bolsas do que o necessário.

Os açougues e pescaderías tradicionais apresentam o seu produto no balcão, e normalmente ofrecértelo em papel especial, evitando o consumo de bandejas de poliespan e plásticos, mais objecto de recursos em supermercados.

Atende à rotulagem:

Se queremos reduzir o impacto ambiental a melhor escolha que se pode fazer é consumir produtos locais e da estação, desta forma evitamos transportes muito prolongados, com suas consequentes emissões ou o gasto energético que supõe manter os alimentos em câmaras frigoríficas. Por se fosse pouco, costumam compartilhar além disso, um melhor preço por minimizar os custos de transporte ou armazenamento.

São cada vez mais comuns as iniciativas que buscam compartilhar uma produção sustentável de alimentos, pessoas que encabeça projetos como este, que permitem iniciar-se na agricultura local por apenas 200€ de investimento. Pode consultar o calendário de frutas e legumes da época para fazer escolhas mais responsáveis.

Não há que esquecer, que com estas eleições, é mais fácil investir e ajudar a economia local, beneficiándonos com um enriquecimento da região. As pequenas e médias empresas tendem a ter também uma gestão de recursos que ela externaliza menos os impactos.

O fato de conhecer a rotulagem nos permite também escolher e exercer a nossa escolha responsável sobre a quais empresas se queremos “ajudar” com a nossa despesa. Isso implica não apenas consumir ou não de uma marca em particular, mas o apoio ou a recusa a certas práticas que consideramos pouco éticas: bloqueios econômicos, acordos injustos, lobbies de pressão ou especulação com a comida. Como já abordados no blog com a colaboração de Miguel Muñoz: Comer, às vezes, é um ato político.

Será que Todos os alimentos influenciam de forma igual?

Será que é tão chocante de arroz, um bife? E o pão é menos impactante que o peixe? Você é ético priorizar a diminuição do consumo de carne? Por que se diz que o vegetarianismo é menos chocante que um consumo normal?

De certeza que são questões que você ouviu alguma vez, efectivamente, a nível energético global, é muito diferente o investimento de energia e recursos (tanto de superfície como de matérias-primas) que há que investir para obter uma determinada quantidade de energia em forma de alimento, dependendo de qual se trata.

Uma quantidade X de energia obtida através de um bife, requer muito mais recursos que a mesma quantidade obtida através de batata, por exemplo. Os produtos à base de carne, geralmente, são muito mais impactantes do que os produtos de origem vegetal. Uma questão de sustentabilidade que faz com que muitas pessoas aboguen por uma redução na dieta dos derivados de carne, ou até mesmo utilizar a opção do vegetarianismo, opção que não é incompatível com uma ótima saúde, apesar de muitas opiniões sanitárias pouco rigorosas, e que sim é apoiada pela ADA (Associação Americana de Nutricionistas) e a nossa própria AEDN. Eu recomendo que lerdes este post de Lúcia, que reúne essa evidência, e seu próprio blog. Motivos, que também são acompanhados dos argumentos de sustentabilidade que mostra o seguinte vídeo:

A animação nos apresenta como mantemos, no Norte, um consumo proteico elevado em relação às necessidades, empurrando uma inconsistente proporção energética dos macronutrientes na dieta. Não só a nível de saúde com as dietas hiperproteicas, também a nível ambiental.

CONSELHOS PRÁTICOS PARA APLICAR EM CASA

Planejamento da compra:

É importante salientar que vamos comprar e o que precisamos adquirir, desta forma, poderemos realizar um itinerário adequado, evitar comprar produtos que não precisamos realmente, nos permitirá comprar o ingrediente que falta para tirar aquelas porções que temos “abertas” ou “preparadas” em casa, vai economizar tempo e permitirá adquirir os produtos refrigerados e congelados no final.

Recomenda-Se levar uma mala isotérmica, não custam muito dinheiro, você pode reutilizar, e nos fará poupar energia em casa, além de garantizarnos que o produto foi mantido, melhor durante o transporte em casa (isso é especialmente importante em compras grandes e em grandes superfícies, onde se leva mais tempo para voltar para casa).

Escrever uma lista de alimentos a comprar ou fazer o menu semanal, previamente, também garante que a escolha das quantidades será mais de acordo com a realidade, e é mais fácil de obter, finalmente, um menu variado, que se improvisamos dia-a-dia. Isto acaba resultando em qualidade da dieta e na saúde, se nos voltarmos para o fácil e sem planejamento dificilmente deixaremos para trás uma rotina estabelecida de alimentação confortável e pouco variada.

Gestão dos excedentes em casa:

O freezer é um grande aliado para guardar rações de comida de sobra, e não tem que afetar de forma significativa as características do alimento se você seguir estas dicas para congelar ou descongelar um alimento. Podemos até recorrer a mudar a forma de preparação dos pratos que temos em excesso, se é que temos a geladeira cheia: umas batatas ou legumes podem se tornar um purê ou o princípio de um cozido. A fruta que vai estragar pode fazer parte de geléia ou compotas caseiras. O peixe, ou carne pode servir para fazer croquetes, hambúrgueres caseiros ou acompanhar com um refogado com um arroz ou macarrão. Tente não desperdiçar comida.

Este post aborda algumas diretrizes a considerar se você quer otimizar sua compra, tanto ambiental como para o seu bolso, como acaba de começar o ano, se você tem como proposta melhorar a sua alimentação para o ano de 2013, eu recomendo que a pena dar uma olhada no post “Dicas para comprar no ano novo” não levamos quase nada de ano e estamos a tempo de colocá-los em prática.

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